Galeria: Expressões de Moçambique

A série Expressões de Moçambique traz retratos de pessoas que encontrei no caminho em minha primeira viagem à África, entre dezembro de 2016 e janeiro de 2017. São trabalhadores, crianças – e crianças trabalhadoras – em seus ambientes cotidianos de ofício ou de brincar.

Boa parte na cadeia produtiva em torno da capulana, corte de tecido que faz parte da identidade cultural moçambicana. De algodão ou fibra sintética, com estampas e cores vibrantes, a capulana é usada para cobrir o corpo e os cabelos das mulheres, fabricar roupas, acessórios e mobiliário, carregar bebês amarrados ao corpo, entre outras funções.

Em linhas gerais, um retrato é o resultado da interação entre fotógrafo e fotografado naquele encontro. Senti que a aproximação, a conversa e os cliques foram uma quebra na rotina desses moçambicanos, que responderam com sorrisos, poses ou mantendo a reserva. Por vezes achando inusitado o pedido da estrangeira que também falava em português, mas ansiosos para ver as fotos no display da câmera.

Quebra na rotina de pessoas que se queixam da crise econômica e das condições de vida num país que até 1974 esteve sob domínio de Portugal, enfrentou uma guerra de independência entre 1961 e 1974 e uma guerra civil entre 1977 e 1992. E hoje vive mais um conflito político-militar em parte do território entre o governo (partido Frelimo) e o principal partido de oposição (Renamo), tendo áreas de petróleo e gás como pano de fundo.

País com a 8ª prevalência de HIV do mundo, o que significa 11,5% da população infectada (dados governamentais de 2014), sendo que menos da metade faz tratamento, segundo o Fundo Global de Luta Contra SIDA, Tuberculose e Malária.

Nação com 44,9% de analfabetos (dados governamentais de 2016) e com uma das mais altas taxas de casamento infantil, em que mais de 50% das meninas se casam antes dos dezoito anos (dados da ONU de 2016).

Sutilmente, a densidade dessa conjuntura aparece nos retratos, mas a série não é sobre isso. É sobre gente na batalha da vida, orgulhosa de seus ofícios e esperançosa por tempos melhores. Há gestos, expressões e sorrisos que transpõem o peso da realidade.

Texto e fotos: Mariana Raphael/Fotografia com poesia

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