Fotojorlirismo com câmeras de brinquedo

 

Resumo do projeto

Na experiência fotográfica autoral Fotojorlirismo com câmeras de brinquedo proponho uma intersecção entre fotojornalismo e arte fotográfica contemporânea. O projeto visa a produção de ensaios fotográficos a partir de pautas de fotojornalismo cumpridas com equipamentos precários que, do ponto de vista técnico, são absolutamente inapropriados para a atividade.

São câmeras cuja aparência lúdica e modo de funcionamento rudimentar não se encaixariam nos paradigmas do fotojornalismo convencional, que acompanha as evoluções tecnológicas da época na busca de precisão. Uma câmera lomo, um modelo de câmera descartável, uma câmera semi-descartável e uma pinhole de MDF. Em comum, lentes de plástico ou ausência de lente (no caso da pinhole), ausência de fotômetro, processo analógico e quase nenhuma possibilidade de controle no momento de captura das imagens.

O objetivo do projeto é, por meio de um processo artístico, propor um exercício de subversão dos paradigmas do fotojornalismo convencional, e assim, discutir a lógica constitutiva de suas práticas. Dentre os temas abordados estão a ligação intrínseca entre o fotojornalismo e o desenvolvimento tecnológico de seu tempo histórico; a relação do fotojornalismo com o tempo cronológico; as tensões e diálogos entre real e ficção / objetivo e subjetivo no fotojornalismo; e a importância do processo de criação no que Fernandes Jr (2006) chama de “fotografia expandida”.

Ana Carolina Santos (2012) aponta que a fotografia é permeada por virtualidades, ou seja, elementos invisíveis que “funcionam como um campo de forças crucial para o processo de produção das imagens e para seu resultado final.” (n.p.). As regras criadas para o desenvolvimento do trabalho atuam como virtualidades inventadas com uma proposta artística. E a própria ação de fotografar pautas reais usando câmeras que parecem de brinquedo tem um caráter de performance. É como um jogo cujo resultado nos traz um misto de representação do real e ficção.

A precariedade das câmeras de brinquedo geraram nas imagens elementos visuais não convencionais no fotojornalismo, como ausência de foco, movimentos borrados e distorcidos, excesso de flare, erros de exposição, vestígios de fotogramas queimados, registros de dedo no visor devido a dificuldade de empunhadura, entre outros. Tais elementos reduziram a sensação de “real” e de objetividade nas fotografias em relação ao fotojornalismo convencional, conferindo às imagens uma estética de sonho, de cenas imaginárias e até de ficção, nem que seja em relação ao tempo histórico.

FERNANDES JR., Rubens. Processos de criação da fotografia. In FACOM. n. 16, p. 10-19. 2006.

SANTOS, Ana Carolina Lima. O fotodocumentário para além da factualidade: o virtual como dimensão essencial da fotografia documental. In Ícone v. 14 n. 1, s.p. 2012.

 

A seguir, algumas pautas cumpridas com as câmeras de brinquedo.

 

. Data: 24 de maio de 2017

Pauta: Manifestação Ocupa Brasília

Câmera utilizada: Kodak descartável

 

Data: 8 de junho de 2017

Pauta: Julgamento da chapa Dilma-Temer no Tribunal Superior Eleitoral – TSE (Brasília).

Câmera utilizada: Aquapix com ISO 100

 

Data: 18 de junho de 2017

Pauta: Parada gay em São Paulo

Câmeras utilizadas: La Sardina sem o flash com filme ISO 100 e Aquapix com filme ISO 400

 

Data: 23 a 25 de junho de 2017

Pauta: Festejos de São João em São Luís do Maranhão e região metropolitana

Câmeras utilizadas: La Sardina sem o flash com filme ISO 100 e Aquapix com filme ISO 400

 

Making of 

Acesse o artigo com discussão teórica, processo criativo, referências e resultados preliminares do projeto Fotojorlirismo com câmeras de brinquedo.

Esta não é a primeira vez que a artista pesquisa possíveis intersecções entre a linguagem do jornalismo e arte. Assista ao Telejornal Poético, trabalho desenvolvido no âmbito da graduação em Jornalismo, que recebeu Menção Honrosa na 12ª Expocom – Exposição de Pesquisa Experimental em Comunicação durante o XXVIII Congresso da Intercom (UERJ, 2005).